As músicas cantadas por homens
Só podem ter sido escritas por mulheres, ou por poetas loucos.
Não me digam que é mentira
Pois eles só falam de futebol e das mulheres dos outros!
Malditos aqueles que nos enganam com todas as suas letras.
É que estas não passam de umas grandes tretas!
E tudo para que sonhemos ainda mais com alguém que não existe.
Tu, menina, DESISTE!

São uns bandidos estes!
Sacanas, malvados!
Nós pensamos que os temos agarrados
e eles espetam-nos alfinetes...
Já não há verdade nos amores da minha idade.
São, na sua grande maioria, uns sacanas
Que andam sempre à coca a ver se te enganas
E se cais na rede de um deles
De modo a que depois te sintas reles
Que nem meninas de rua.

Ui daqui até ser tua...
Ainda vai demorar tempo, sabias?
É que isto não é o "se te avias"...
Há que haver respeitinho!
Não penses que sou mazinha...
Pensa antes que a culpa é do teu sexo
Que só sabe cantar letras que para vós é sem nexo
Mas que para nós têm sentido
Pois fazem com que o nosso coração se sinta menos perdido.
Quem me dera ser a Ophélia de F. Pessoa
Pois este é um dos poetas loucos que mais nos pode fazer sonhar...
E por mais que nos doa,
Cá vão umas cartas para o comprovar:
«Meu Bébé pequeno e rabino:
(...)
Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a bocca estranha, sabes, por não ter beijinhos ha tanto tempo... Meu Bébé para sentar ao collo! Meu Bébé para dar dentadas! Meu Bébé para... (e depois o Bébé é mau e bate-me...) "Corpinho de tentação" te chamei eu; e assim continuas sendo, mas longe de mim.
Bébé, vem cá; vem para o pé do Nininho: vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a bocca do Nininho... Vem... Estou tão só, tão só de beijinhos...
Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer: Ao menos isso era uma consolação... (...)
Açoites é o que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo, para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens - pelo menos quando teem - 1.º espirito, 2.º cabeça, 3.º balde onde metter a cabeça.
Um beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu
FERNANDO (NININHO)
5.4.1920»
Estas e mais tentativas poéticas e de rebaixamento do sexo masculino, só aqui, no Correio de Coimbra
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