Há coisas que rebolam tanto na minha cabeça que às vezes é preciso escrevê-las num papel.
E foi isso que fiz. Fi-lo e depois de estupidamente descarregar o que me atormentava, achei piada ao que tinha escrito...Com tanto apontamento ainda por escrever, até parece que não tinha mais nada de jeito para fazer.
A verdade é que a bela da Mecânica estrutural me anda definitivamente a dar a volta à cabeça.
Mas cá vai.
Sítio novo, cidade nova, tudo novidade, tudo novíssimo.
Começa aquela batalha saudável de encontrar alguém na multidão. Com isto quero dizer que começamos a tentar associar-nos uns com os outros e, de certa forma, a criar grupos.
Logo no primeiro dia conheço a Brasileira com quem acabo por criar uma amizade instantânea.
Ela "abandona-me" em Dezembro e logo eu meto na cabeça que tenho de iniciar uma busca de modo a conseguir identificar-me com alguém novamente.
Encontro esse alguém (que mora nas Meirinhas) pouco tempo depois mas, ao contrário do que tinha acontecido anteriormente, tento dar-lhe espaço e tento dar-me a mim espaço de modo a conhecer também outras pessoas.
Ora aqui é que está a encrenca.
Não basta só ter vontade para conhecer outras pessoas, é preciso haver vontade por parte das outras pessoas para te conhecer. Complicado, não?
Não, não é, mas eu, muito sinceramente, pensei que iria ser. Não foi complicado conhecer certas pessoas que pertenciam a certos grupos. Todavia, conhecer certos grupos onde estavam certas pessoas é que já vai sendo complicado.
Graças a estes certos grupos senti-me uma verdadeira mitra a fazer de Agente infiltrada que tenta a todo o custo descodificar todas aquelas linguagens em código.
É no que dá quando a tipa das Meirinhas vai almoçar a casa.. :P
A verdade é que, como Agente infiltrada, devia de gostar de passar despercebida... mas a verdade é que não gosto. E por isso fui investigar as possíveis causas e razões de me sentir assim. Ah, e, já agora, descobrir o culpado.
Depois de muito pesquisar no meu lobo frontal (que é onde reside a memória e o pensamento) deixem-me que vos apresente o meu relatório:
Arquivos pesquisados: - Desde 1996 a 2009
Conclusões sobre a possível vítima:
1. A Agente infiltrada não cheira mal (a não ser na altura da Queima) nem tem qualquer doença infecciosa ou contagiosa;
2. A Agente infiltrada, nos arquivos de 1996 a 2004 demonstra ter alguma tendência para a melguice e a falar de assuntos estranhos e desinteressantes (no momento) só para ver se as pessoas falam com ela;
2.1.Sendo que não consegue fazer isso, tenta tirar o curso de palhaça;
2.1.1.Não conseguindo que falem para ela, começa a dar-se com pessoas mais velhas, o que faz com que se dê com um maior número de pessoas.
(isto tem uma explicação. os miúdos são maus nestas idades e a verdade é que às vezes deixavam de falar para mim. mas acho que por vezes até merecia! :D )
3.No arquivo de 2005/06, a Agente está inserida, pela primeira vez, num grupo.
3.1.Causas prováveis:
- escola grande
- turma com muitas mulheres
3.2.Tem pela primeira vez uma melhor amiga.
4.No arquivo de 2006/07, a Agente vê-se envolvida numa Guerra criada pela Bruxa Má e acaba perdendo a melhor amiga.
4.1.Causas prováveis:
- a Bruxa Má tem dor de cotovelo da Agente e é manipuladora.
4.2. "Vão uns mas vêm outros muito melhores!" passa a ser o lema da Agente que passa também a ter a melhor e a maior amiga do Mundo! Assim como vê o seu grupo ficar mais compacto, mais forte e melhor.
5.Arquivo de 2007/08 mostra que foi uma grande ano para esta possível vítima, tirando o facto de apenas algumas pessoas do seu grupo lhe dizerem que estava a agir mal (em determinados aspectos).
5.1.Causas prováveis:
- medo por parte de alguns membros em dizer o que sentiam e achavam
- a Agente, nesse ano, deu-se mais com a sua turma nova, que era cheia de rapazes ;)
6. Nos arquivos de 1996 a 2009, a Agente e possível vítima, fora do seu local de estudo, contacta também com alguns grupos. Todavia, nem em todos se sente aceite.
Conclusões sobre formação de grupos:
- existem grupos penetráveis e impenetráveis.
Conclusão sobre os grupos penetráveis:
1.Constituídos por muitas pessoas
1.1.Poderemos sentir-nos perdidos pertencendo a este, uma vez que continuamos sempre a dar-nos mais com uns do que com outros.
Conclusão sobre grupos impenetráveis:
1.Constituídos (normalmente) por 3 a 6 elementos;
2.Os elementos que os constituem geralmente dão-se muito bem;
2.1.Causas prováveis:
- personalidades parecidas
- vivências e momentos comuns
- sítio onde moram/estudam
3.Praticamente impossíveis de penetrar;
4.Inconscientemente (pelo menos assim se espera), despertam nas outras pessoas (que tentam uma abordagem) um certo incómodo consigo próprias;
5.Por vezes falam em código;
Conclusões retiradas pela Agente:
1. A culpa da Agente se sentir dessa maneira NÃO É DE NINGUÉM.
1.1.Razões:
- as pessoas dão-se com quem querem
- as pessoas que constituem os impenetráveis não têm consciência das sensações que causam
- as pessoas que constituem os impenetráveis são grande amigas do coração, entre si.
Conselhos a dar à Agente:
- Vá arranjar uma vida em vez de criar um blog e andar para aqui a escrever (quando deveria de estar a escrever apontamentos!);
- Por mais que queira conhecer as pessoas que pertencem aos impenetráveis, páre de bater no ceguinho e vá à procura de outro grupo para chatear;
- Comece a dar-se com as pessoas que realmente interessam e que se interessam realmente por si;
- Obrigue a tipa das Meirinhas a almoçar consigo ou faça-se de convidada para almoçar na casa dela;
Conselhos a dar aos Impenetráveis:
- Continuem a dar-se tão bem quanto se dão agora;
- Tentem também conhecer outras pessoas. Isto nunca quererá dizer que estão a abandonar o grupo, apenas que gostam de conviver e de conhecer quem têm ao vosso redor;
- Não falem em código à frente de outras pessoas que parece mal;
- Se eu vos chatear ou fizer algo do género que realmente chateia e incomoda, façam o favor de ser directas, sinceras e serenas ao dizerem-me a verdade;
- Não sejam tão impenetráveis.
E agora eu:
A verdade é que ao longo do nosso caminho vamos tropeçando em grupos de pessoas nos quais gostaríamos de estar e pertencer. No entanto, é preciso "cair na real" e ver que com essas pessoas estamos a perder tempo. Não é que sejam más nem algo do género. Apenas já encontraram nos seus corações pessoas que realmente as compreendem e com quem realmente se sentem bem. Se precisarem de ti, chamar-te-ão.
Por isso, é preciso seguir em frente procurando outras pessoas e criar novas probabilidades de elementos que podem crescer connosco e criar, quem sabe, um grupo impenetrável.
Este post não é a dizer que não tenho amigas nem algo do género. É apenas relatar o que já me passou pelas mãos e o que ainda vai passando. Isto é apenas expressar as conclusões de um estudo mental sobre como é difícil penetrar em grupos impenetráveis (por exemplo quando estás numa festa, ñ conheces ninguém a ñ ser o aniversariante e queres dar-te com alguém.).
Só isso. :)
Estes e mais estudos conclusivos, ou não, só aqui, no Correio de Coimbra.
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